O humor, essa alquimia capaz de transformar o cotidiano em risadas e reflexões, é um fenômeno tão antigo quanto a própria humanidade. Ao longo dos séculos, ele se moldou às diferentes culturas, costumes e sensibilidades, evoluindo e se adaptando às transformações sociais, e por isso mesmo, é assunto constante entre as pessoas ao redor do mundo. Quero também começar o ano discorrendo sobre isso.
No passado, o humor era muitas vezes mais contido, com piadas que giravam em torno de estereótipos, situações cotidianas e jogos de palavras. A sátira política e social também era presente, mas de forma mais sutil e elegante. A comédia clássica, por exemplo, utilizava a ironia e a hipérbole para criticar os acontecimentos e costumes da época, sendo um reflexo da sociedade da época, porém, sem perder a elegância e o bom gosto.
Hoje, o humor já se tornou, podemos dizer, mais cru, irreverente e até politicamente incorreto. A internet e as redes sociais amplificaram a voz destes comediantes, que abordam temas antes considerados verdadeiros tabus com um humor ácido e provocativo. O stand-up comedy, por exemplo, se tornou um fenômeno global, com shows que exploram desde o cotidiano até as questões mais complexas da sociedade, como racismo, sexismo e homofobia. Essa modalidade de entretenimento, com sua capacidade de conectar com o público de forma direta e pessoal, tem sido um dos grandes impulsionadores da evolução do humor nas últimas décadas.
Uma questão das mais atuais é quando se trata dos limites do humor, pois isso quase sempre se torna um debate acalorado e sem consenso. De um lado, há aqueles que defendem a liberdade quase que total de expressão e acreditam que o humor não deve ter restrições, desde que não incite à violência ou à discriminação. Do outro lado, estão aqueles que argumentam que o humor pode ser usado para ferir e humilhar, e que é preciso estabelecer limites para evitar o sofrimento alheio. Ambos têm sua parcela de razão, e discorrer sobre isso levaria várias páginas escritas e horas de divagações, talvez, sem um resultado. A verdade é que o humor é sim uma ferramenta muito poderosa, capaz de provocar tanto o riso quanto a reflexão. Por isso é preciso ter cuidado para não confundir humor com crueldade, hoje chamado de ‘bullying’ e é importante destacar que o que é engraçado para uma pessoa pode ser ofensivo para outra.
O futuro do humor é incerto, assim como qualquer futuro, mas algumas tendências já podem ser observadas. A diversidade é uma delas, com cada vez mais comediantes de diferentes origens e experiências conquistando o público. Gerações mais antigas se vão, novas aparecem, e temos de ter cuidado de não virarmos saudosistas, achando que nada do que é novo é bom. Havia bons e maus comediantes, e assim continuará a ocorrer. A tecnologia certamente também desempenhará um papel importante, com o surgimento de novas plataformas e formatos de comédia. Outro palpite que podemos ter é que o humor continue a se tornar mais pessoal e introspectivo, com os comediantes explorando suas próprias experiências e vivências. A sátira política e social também deve continuar a ser um tema relevante, à medida que a sociedade se torna cada vez mais complexa e polarizada.
Em conclusão, o humor é uma característica humana complexa e multifacetada que nos acompanha desde os primórdios, se adaptando aos povos e debatendo seus costumes de forma leve, ou nem sempre. Independentemente do que 2025 e os anos à frente nos reservem, uma coisa é certa: o humor continuará a ser uma forma poderosa de expressão e de conexão entre as pessoas, seja qual for a forma a ser desenvolvida. Que possamos então, seguir o conselho do Palhaço Bozo, que cantou lá nos anos 1980: Sempre rir, sempre rir, pra viver é melhor sempre rir.









