O Editor da Vida

Homem sentado no chão de um quarto vazio e iluminado por luz fria, simbolizando traição, culpa e queda moral em ambiente de suspense.

Ele se ajoelhou na penumbra. Os olhos cerrados ardiam, tamanha a força que empregava para mantê-los assim. Mas pareciam ter vontade própria e, destarte, foram se abrindo. A luz era difusa. Ao enxergar o entorno, o cérebro deixou de supor e passou a reconhecer… Estava nu. Corou como um Adão tardio. Cobriu-se instintivamente e tentou […]

Tempo ao Tempo

Disco de vinil de Chrystian & Ralf sobre mesa de madeira, com relógio antigo e objetos retrô, representando o tempo, a memória e a música sertaneja dos anos 1980.

Em 1986, quando o tempo ainda não corria, apenas andava, com passos largos e alguma dignidade, os Natais demoravam eternidades para chegar. Eu começava a me alfabetizar na Escola Primária quando Chrystian & Ralf entravam em estúdio para gravar o quarto álbum de uma carreira que ainda estava se afirmando, mas já sabia exatamente aonde […]

O ALTAR, O COFRE E O SILÊNCIO

Cena simbólica mostra um religioso e um empresário diante de um cofre cheio de dinheiro, representando a relação entre fé, poder econômico e silêncio institucional.

Teodoro, o Tatu, estava quieto na sua toca, lá nos Cafundós do Judas, quando um barulho estranho começou a ecoar pelos corredores do subsolo. Não era trovão, não era escavação clandestina, tampouco promessa de campanha. Era dinheiro caindo. Muito dinheiro. Em cascata. — Ué… — resmungou o Tatu. — Isso não é cheiro de terra […]

Quando o medo vira rotina

Homem observa uma rua urbana à noite com presença policial, simbolizando a sensação de insegurança, medo cotidiano e o impacto da violência na rotina das cidades.

Não foi um assalto… Não foi um tiro… Foi apenas uma conversa atravessada no balcão da padaria… Alguém comentou que agora evita sair à noite. Outro respondeu que já não atende o telefone depois de certo horário, ou de DDD diferente do da sua cidade. Um terceiro confessou que mudou o trajeto diário por precaução. […]

A primeira semana do ano

Homem iniciando a primeira semana do ano em um ambiente urbano, refletindo sobre rotina, recomeços possíveis e a retomada silenciosa do cotidiano após o ano novo.

A primeira semana do ano não tem fogos, nem champanhe, nem discursos inflamados sobre o futuro. Ela chega em silêncio, quase pedindo licença, como quem sabe que não será celebrada. Poucos morrem de amores por ela. Ainda assim, é nela que o ano começa de verdade. O despertador toca na segunda-feira com a mesma antipatia […]

RETROSPECTIVA 2025 – PARTE 01

Mesa de trabalho moderna com computador, anotações, gráficos, café e vista urbana ao entardecer, representando reflexão, análise e retrospectiva do ano de 2025.

Sempre acreditei que escrever não é apenas organizar palavras, mas tentar entender o tempo em que estamos inseridos. Olhar para trás, nesse primeiro quadrimestre de 2025, é perceber que os textos que surgiram aqui não nasceram de um plano rígido, muito menos de uma pauta engessada. Eles nasceram da inquietação. Da observação cotidiana. Da tentativa, […]

50 anos sem Érico, mas ainda contando quem somos

Livro “O Tempo e o Vento” aberto sobre mesa de madeira ao lado de retrato clássico de Érico Veríssimo e óculos de leitura, em luz suave e ambiente nostálgico.

O livro estava lá, esquecido na estante, entre volumes diversos, contas atrasadas e uma poeira que parecia ter se instalado definitivamente sobre a estante. Puxei o volume quase por acaso. Capa dura, lombada marcada, páginas amareladas. O Tempo e o Vento. E então vi a data na internet: cinquenta anos da morte de Érico Veríssimo. […]

Manual de Sobrevivência para Dias Absurdos

Homem sentado à mesa bagunçada, mãos na cabeça, cercado por post-its, café derramado e celular, simbolizando o caos dos dias absurdos e o esforço para manter a calma.

Talvez você também tenha passado por isso. Acordar, olhar a janela e perceber que, antes mesmo de o dia começar, o mundo já está meio torto. Não é tragédia, não é drama, é só uma leve sensação de que alguém mexeu na engrenagem da realidade enquanto a gente dormia. E aí tudo amanhece estranho. As […]

O Homem que Colecionava Memórias

Mão segurando lembranças antigas: bilhete infantil, ingresso de cinema de 1998, bolinha de gude verde e guardanapo com número anotado, simbolizando memórias afetivas.

Ele não colecionava moedas, selos ou miniaturas. Nada disso. O que João guardava eram fragmentos de vida, como ele mesmo definia: pequenos, despretensiosos, quase ridículos para quem visse de fora. Inclusive fora criticado por isso, nas raras vezes que mostrou seu tesouro a outras pessoas. Mas, para ele, cada objeto tinha um peso que nenhuma […]

O TIRO, A TERRA E O CLIMA

Tatu antropomorfizado com guarda-chuva observando contraste entre área urbana alagada e evento luxuoso da COP, simbolizando crítica social e ambiental.

Teodoro, o Tatu, estava quieto na sua toca, nos Cafundós do Judas, quando ouviu na estação de rádio comunitária uma notícia que fez até seu casco arrepiar: “Operação no Rio de Janeiro termina com dezenas de criminosos mortos. Autoridades comemoram sucesso da ação.” — Sucesso? — pensou o Tatu, coçando o focinho. — No Brasil, […]

Subscribe to My Newsletter

Subscribe to my weekly newsletter. I don’t send any spam email ever!