Mestres da Comunicação

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Ilustração dos mestres da comunicação brasileira, Chacrinha e Silvio Santos, representando seu legado na televisão e no entretenimento.

Olá, meus caros leitores! Hoje vamos falar sobre dois gigantes que, cada um a seu modo, revolucionaram a comunicação no Brasil. Eles eram diferentes no estilo, mas igualmente geniais na arte de falar com as massas. De um lado, o irreverente Chacrinha, com seu jeito maluco e frases de efeito. Do outro, o estratégico Silvio Santos, dono de uma intuição privilegiada e de uma habilidade única de vender até geladeira para esquimó. Ambos deixaram marcas tão profundas que, mesmo na era dos algoritmos e das redes sociais, onde a inteligência artificial tenta superar o ser humano, suas lições ainda ecoam.

Chacrinha, nome artístico de Abelardo Barbosa (Surubim/PE, 30/09/1917 – Rio de Janeiro/RJ, 30/06/1988) também conhecido pela alcunha de “Velho Guerreiro”, era pura energia. Seu programa não seguia um roteiro rígido; era um turbilhão de improvisos, onde tudo podia acontecer. Ele abraçava o caos e transformava em espetáculo. “Quem não se comunica, se trumbica”! Essa frase icônica dele, mais do que um bordão, era um manifesto. Chacrinha entendia que comunicação não era sobre discurso perfeito, mas sobre conexão genuína com quem você pretendia atingir. Ele falava a língua do povo, misturava alta e baixa cultura, e não tinha medo de parecer ridículo. Em tempos de TV ainda engomada, ele foi a ousadia encarnada.

Já Silvio Santos, nome artístico de Senor Abravanel (Rio de Janeiro/RJ, 12/12/1930 – São Paulo/SP, 17/08/2024) era outro mestre, mas com uma abordagem mais estratégica. Dono de um carisma que parecia treinado, calculado, mesmo sendo natural, ele dominava a arte da persuasão, talvez por seu treinamento precoce nas ruas da Lapa Carioca dos anos 1950. Seus programas eram um show de entretenimento junto com negócios, e ele sempre soube como manter o público grudado na tela. Dar uma chance de aparecer na TV para quem nunca teve uma chance, era mais que uma promessa, era um convite à participação. “Se você fosse no Silvio Santos, você iria ganhar um bom dinheiro.” Minha mãe sempre dizia isso quando eu acertava qual música era apenas com o toque dos primeiros acordes. E isso não era um sonho impossível, pois toda semana víamos pessoas diferentes, anônimas e simples, naquela tela mágica aos domingos. Silvio entendia o poder da interatividade antes mesmo da internet existir. Ele criou um modelo de TV que misturava diversão, sorteio e comércio, antecipando até mesmo o fenômeno das lives de venda que dominam as redes hoje.

Haja vista serem tão diferentes, o que tinham em comum? A capacidade de ler o público e adaptar sua mensagem. Chacrinha falava para todos, mas cada pessoa se sentia vista. Aquela suposta bagunça remetia o povo à sala de sua casa, ao churrasco em família, ao boteco preferido, e isso causava intimidade. Já Silvio mantinha um ritmo frenético por horas a fio de programa, mas que prendia desde crianças até avós na frente do tubo da TV. Eles não apenas proporcionaram entretenimento para as massas; educaram safras de novos comunicadores, que mesmo sendo grandiosos, como Raul Gil, Flávio Cavalcanti, Fausto Silva e Luciano Huck, sempre citaram os dois maiores, um ou outro, como seus professores absolutos. Mostraram que, para engajar, é preciso mais do que transmitir informação, é preciso criar emoção, extravasar espontaneidade e, acima de tudo, passar muita autenticidade na sua mensagem.

Hoje, quando vemos influencers tentando chamar atenção em 15 segundos ou grandes marcas buscando viralizar, percebemos que Chacrinha e Silvio já faziam isso décadas atrás. O Velho Guerreiro seria, sem dúvida, um fenômeno no TikTok, com seus bordões curtos e visual extravagante, jogando o bacalhau do seu maior patrocinador no público, para divulgar a marca, mesmo dessa forma nada ortodoxa. Silvio, por sua vez, seria um gigante do YouTube, com seu talento para formatos viciantes e chamadas irresistíveis. Eles nos ensinaram que comunicação de verdade não é sobre tecnologia, recursos financeiros abundantes ou estratégias predatórias, mas, sobre humanidade, sobre lidar com gente de forma que essa gente se veja nas palavras e nos gestos do comunicador que, por fim, as representa, nos seus anseios, alegrias, dores e prazeres. E essa lição nunca envelhece.

Em última instância, todos nós somos comunicadores, e como tais, podemos aprender desses dois mestres desse ofício. Por isso, concluo citando dois bordões, que podemos levar para a vida; o primeiro é o célebre ‘da vida não se leva nada, vamos sorrir e cantar’, e o outro, é ‘quem não se comunica’ … bem, vocês sabem o resto!


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Olá, eu sou Ari Jr

Sou escritor, blogueiro e viajante. Ser criativo e fazer coisas que me mantêm feliz é o lema da minha vida.

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