RETROSPECTIVA 2025 – PARTE 01

Mesa de trabalho moderna com computador, anotações, gráficos, café e vista urbana ao entardecer, representando reflexão, análise e retrospectiva do ano de 2025.

Sempre acreditei que escrever não é apenas organizar palavras, mas tentar entender o tempo em que estamos inseridos. Olhar para trás, nesse primeiro quadrimestre de 2025, é perceber que os textos que surgiram aqui não nasceram de um plano rígido, muito menos de uma pauta engessada. Eles nasceram da inquietação. Da observação cotidiana. Da tentativa, […]

50 anos sem Érico, mas ainda contando quem somos

Livro “O Tempo e o Vento” aberto sobre mesa de madeira ao lado de retrato clássico de Érico Veríssimo e óculos de leitura, em luz suave e ambiente nostálgico.

O livro estava lá, esquecido na estante, entre volumes diversos, contas atrasadas e uma poeira que parecia ter se instalado definitivamente sobre a estante. Puxei o volume quase por acaso. Capa dura, lombada marcada, páginas amareladas. O Tempo e o Vento. E então vi a data na internet: cinquenta anos da morte de Érico Veríssimo. […]

Manual de Sobrevivência para Dias Absurdos

Homem sentado à mesa bagunçada, mãos na cabeça, cercado por post-its, café derramado e celular, simbolizando o caos dos dias absurdos e o esforço para manter a calma.

Talvez você também tenha passado por isso. Acordar, olhar a janela e perceber que, antes mesmo de o dia começar, o mundo já está meio torto. Não é tragédia, não é drama, é só uma leve sensação de que alguém mexeu na engrenagem da realidade enquanto a gente dormia. E aí tudo amanhece estranho. As […]

O Homem que Colecionava Memórias

Mão segurando lembranças antigas: bilhete infantil, ingresso de cinema de 1998, bolinha de gude verde e guardanapo com número anotado, simbolizando memórias afetivas.

Ele não colecionava moedas, selos ou miniaturas. Nada disso. O que João guardava eram fragmentos de vida, como ele mesmo definia: pequenos, despretensiosos, quase ridículos para quem visse de fora. Inclusive fora criticado por isso, nas raras vezes que mostrou seu tesouro a outras pessoas. Mas, para ele, cada objeto tinha um peso que nenhuma […]

O TIRO, A TERRA E O CLIMA

Tatu antropomorfizado com guarda-chuva observando contraste entre área urbana alagada e evento luxuoso da COP, simbolizando crítica social e ambiental.

Teodoro, o Tatu, estava quieto na sua toca, nos Cafundós do Judas, quando ouviu na estação de rádio comunitária uma notícia que fez até seu casco arrepiar: “Operação no Rio de Janeiro termina com dezenas de criminosos mortos. Autoridades comemoram sucesso da ação.” — Sucesso? — pensou o Tatu, coçando o focinho. — No Brasil, […]

A CIDADE EM MODO CHUVA

Pessoas caminhando sob guarda-chuvas em uma avenida à beira do rio Piracicaba em dia chuvoso, com reflexos nas ruas e atmosfera cinzenta e calma.

Há dias em que a cidade parece vestir um casaco cinza, desses que a gente usa para se proteger do mundo e de nós mesmos. Piracicaba amanheceu assim hoje: os telhados brilhando sob uma luz lenta, o rio mais pesado, quase pensativo, e um silêncio tímido tomando as calçadas. Não é que a cidade tenha […]

REQUENGUELA

Cantor de samba interpretando canção ao microfone, representando Martinho da Vila e o simbolismo poético da música “Requenguela”.

Quando eu era criança, meu irmão Maurício, mais velho que eu, tinha o dom de me apresentar o mundo com trilha sonora. Foi com ele, por exemplo, que aprendi a escutar e gostar de Martinho da Vila. Ele me mostrava os sambas com uma reverência quase religiosa: ajeitava o disco, limpava o vinil com aquele […]

O Ruído que nos Cala

Homem tampando os ouvidos em meio ao trânsito da cidade, simbolizando o excesso de ruído e a busca pelo silêncio interior.

Há dias em que o mundo parece gritar. As pessoas falam alto, os vídeos tocam sozinhos nas redes, num ‘looping’ interminável, os carros buzinam por nada. E, no meio de tanto som, percebo que o maior barulho talvez venha de dentro de nós mesmos, na nossa pressa em responder, da ansiedade em ter opinião sobre […]

A MÚSICA QUE MORAVA NO RÁDIO

Cozinha iluminada pela manhã com rádio antigo sobre a mesa, mãe preparando café e criança ouvindo atenta, simbolizando a nostalgia e o encanto do rádio.

Fui criado em Piracicaba, numa época em que o rádio era mais do que um aparelho: era quase um morador da casa. Tinha voz, humor e até personalidade própria. Acordávamos ao som dele, almoçávamos com suas notícias, dormíamos embalados por suas músicas. Lá em casa, o dia começava sempre com o programa “Rancho do Garcia”. […]

VERDADE CARA, MENTIRA CLARA

Cena de casamento em igreja, simbolizando aparência, farsa social e hipocrisia retratadas na crônica “Verdade cara, mentira clara”.

Na cidade onde os escândalos se vestem de gala e os pecados usam gravata, vive o senhor Álvaro Brandão. Empresário de renome, filantropo nas horas vagas e marido exemplar… ao menos nas colunas sociais. Seu nome é sinônimo de respeito, sua imagem, imaculada. E como toda figura pública que se preze numa cidade interiorana, Álvaro […]

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